breque-ou-tu-luz

agora há minuto já nem me lembro amanhã quem sabe quando a luz caiu por culpa do ministério. As lâmpadas reduziram sua intensidade até um vermelho perturbador e instável, e a paisagem toda pareceu de repente encher-se desse vermelho, estou sozinha e minha pele já não brilha. Chamarei-o de x, o x pifou e sumiu, então finalmente ficou tudo escuro; então eu vomitei. Eu sinto uma dor feminina mas não há motivo para tanto, veja bem, não há tempo para traumas desse tipo. A luz da rua começa a ficar cada vez mais escassa, cada vez menos o vermelho bruxuleante, as vozes há muito tempo silenciaram eu sinto fome, o meu ouvido apita. Eu queria sair mas as escadas do prédio são longas, os andares são tantos e tão sombrios e escadas são intermediários poderosos e temíveis; falta dentro de mim um guerreiro deste porte. Estou me resignando aos poucos, já não posso telefonar, a energia está acabando, será o fim do mundo tão terrivelmente suave? Pelo telefone aprendi que a polícia faz a ronda no subúrbio mas o meu telefone quebrou então não sei de mais nada. Muito silêncio. Alguém gritou pega ladrão e então mais silêncio. Será que na morte terei alguma parte desta casa sob o meu governo? Se durante o sono esta explosão eletromagnética que se anuncia, o que é que me atravessaria o corpo? Cabides, os copos, punhetas negadas ao braço de uma guitarra, o mundo cada vez mais distraído e isso agora me apavora, quanta fome. Está calor com vento frio e ventam as pessoas trancadas no escuro frio cristo já não deve voltar com o cigarro, não há mais como voltar, já não vão deixá-lo subir será impossível amar! Hoje ninguém vai festejar, parece. Esta noite vai ser de espera e portanto muito selvagem, o céu está totalmente nublado os aviões prendem-se nos triângulos, o ouvido apita os ímãs se excitam e também os lábios rouge bruxo os teus blagues vigorosos astros de toda ordem / massa. A cidade de São Paulo e municípios do Estado estão no escuro na noite desta terça-feira devido a um blecaute. De acordo com informações da assessoria do Ministério de Minas e Energia, grande parte do Rio e algumas cidades do Rio Grande do Sul também foram afetadas. Os trens do metrô pararam de funcionar e escureceram talvez até o escarlate; então os escrotos homens simples que ainda são capazes do desejo passaram a mão por dentro da blusa das velhinhas que ainda choram de pena e ternura por seus próprios / corpos que apodreciam serão despejados hoje na praia da bica, então os passageiros tiveram de sair para as plataformas, amanhã vão faltar ao colégio uma dúzia de crianças histéricas com os trilhos elétricos tão próximos de si / o escuro é a lenda, o morro apagou por sete vezes e por sete vezes eu senti muito medo dos gigantes rubros cavaleiros. Pão puro e maconha para uma subsistência primitiva. Na janela há um forte foco horizontal que vem do hospital, cuja energia intromete-se no organismo dos doentes, cujas lâmpadas iluminam os olhos biônicos dos doentes. A mim mesmo a doença já espreita com uma violência considerável e que é mínima para a razão cósmica; é porque comer pão puro dói-me os dentes, eu já não tenho segurança na dureza dos dentes. Parece-me então que eu terminei acabar nascer, agora! tudo tão mole e quebrantável, que eu estou inteiramente para fora uma moderna mulher convexa mentira: este é o momento de luta até mesmo para os cacetes incorpóreos que eu me finco na própria bunda. O mundo vai acabar e eu estou sozinha, hm. Repare... a luz vermelha... evidencia a sombritude das coisas, a luz vermelha imperceptível, a que desvia dos padrões de sensibilidade minha mãe a luz alquímica vermelha verdade!