as raízes das begônias mais fortes um jardim inteiro delas laçarão meu tórax por baixo da terra, comprimindo massacrando ao máximo como silicone os ossos, daí as costelas enfim deixando os seus limites de costela: atravessando os órgãos mortos com a força das flores
rompendo pelos anos que passaram separados, que passamos separados, e quando as flores vergarem ao sol vão chacoalhar a carcaça presa no subsolo, que infla e estala com fomes microscópicas
a carne humana porque foi só
mais que todas martelada, ela
custa ao sumir: é fibrosíssima

o peito infestado de caules anelares que sobem e trançam nos cabelos que encaracolaram e crescem sem vergonha então os caracóis
os outros vermes sem sexo buscarão no meio das pernas o sumo protéico que cheira na distância maciça do chão, a boca lenta do verme não há vermes sozinhos / os fêmures são leito para contaminações de todo tipo / no umbigo está cravada a raiz da peste, que é grossa e mexe com imponência orixá / a carne involui com a velocidade
da terra nas veias dissecadas que serão comidas por último: há pouquíssima matéria cósmica empenhada na vida
em amebas peludas e bactérias primitivas derramam os venenos verdes mais potentes / as veias dissecadas recebem vampiros carniceiros que bebem o sangue podre cujos desejos evaporaram: eles sofrem em covas com a sede deste sangue, arrastam até o ponto do cotovelosso desde muito longe em túneis lentos presas/oferendas
e tudo isto é muito alegre – a terra doce toda treme
e por fim nas flores o topázio das carnes, a experiência das carnes – as tépalas as corolas cálices estames nascerão dos meus olhos na planta, câmaras de tudo que eu vi & mais um pouco elas têm cheiro do baço, do ânus, do ranço que chupam em ciclos solares

câmara orgânica
as raízes que lacerarem meu cérebro serão belas e potentes: nelas propago meu amor perfeito
eu sinto então

vários deuses me conformam, o que é uma sorte qualquer – sou um buraco negro de instante, e por isso tenho de ser eliminada da maneira mais simples: por um buraco negro dos tempos da terra

(a gravidade que me arrasta arrebata ao subsolo é desejo, não é segredo)

as cócegas roçam e aquecem todas as partes moles de mim distantes
sentados por entre as begônias você arranca um ramalhete com
força nossas bocas mutiladas a três mm então