perro de tres patas

te acuerdas de la fuerza que tenías?

lembro não senhor
não nasci com um ouvido musical
tenho pouco poucos prazeres tão violentos quanto caminhar
dizem que sou uma mulher violenta que eu continuo sendo, caminho sem poder caminhar
dirão que morri pelo que fui isso será mentira:
morrerei por nada

como então vivi de coisa alguma, caminhei
para comer do mundo há de pagar com sangue, escutei
calada estarei calada
gritei sozinha as coisas carecem de semelhança,
gritei da colônia às madrugadas que frequento
sem poder
que não
ser livre
é loucura

a
estes membros fantasmas que doem quando avanço
o
sinal noturno de cidade s s a t é l i t e s s
o
uivo entalado por deformações de raça
muitas vezes perdida, cansada, ferida
sob a multidão invisível
light and blue
as janelas,

rua

Potência


sublime


cadela

sem dono: eu
estou para escrever uma exortação à sobrevivência na lava, à transmutação coletiva em bactérias anaeróbias, à amputação dos membros e à prática sexual extrema, respiro ao largo dos anos imaginando a nostalgia do ar, imaginando o elogio e a crítica do gozo apnéico, sentindo nos flancos o golpe de ar que vai me abater num único assalto centenas de milênios antes da insurgência vulcânica que enfim vencerá (cruzará) a fumaça o lixo o ruído a gente,
que destruirá inexoravelmente os meus escritos e as cidades que foram e a terra que engoliu a pata e o trem que atravessou a pata os pássaros que engoliram os vermes que corroeram
a pata morta pata terra pata pata o que de tudo é pata que o que foi
não é mais

que vos que me calentaste candela
grande rua grande noite mãe primeira
grande seja o seio da cidade e livre
enorme o clamor dos teus filhos

às vezes tenho vontade de escrever sobre coisas sobre as quais
não tenho qualquer conhecimento
como uma criança endemoniada, sem polegares
com três golpes certeiros três moedas
devasto a terra em que ainda tremem
as três cabeças de meu antecessor
direto na história dos ícones que
adornam os prédios mais centrais
sob os quais os índios os máximos
reis de todos lados sós agora tremem
sob uma mitologia canina caminham
meu lado forte ao lado deles
meu lado fraco aos automóveis
marchamos aos montes de lixo
e destroçamos a carne
e devoramos os ossos.

Grande rua grande noite mãe primeira cadela
Grande seja o seio da cidade a liberdade
Enorme clamor dos teus filhos.
estoy
caminando
avenida lecho inmenso de oscuridad, un horizonte que me da ganas religiosas;
navegando por la niebla perpetua que acaricia las cimas de las selvas, animal secreto en la madrugada de los pueblos;
transformando los ojos para el tiro perfecto, mirada desinhibida
en la mano posada trémula sobre la piel podrida de la tortuga,
en la abertura expresa genital cristalina de las calles amplias como poderosas porcelanas,
en la avenida que sigue a lo ancho al fondo de la ciudad y pronto despedaza en alturas distintas,
en viaductos y subterráneos, como tomada por asalto,
en panorámicas casi insoportables
como las obsesiones que nos atraviesan las ideas como mareas de automóviles,
como almas enlazadas devoro los tiempos vacíos, si, mi boca es bastante amplia, si, puede meter la mano en mi garganta, no, yo no vomito, si, yo quiero mucho
eso de estarse siempre así loca de pasión:
mira, cuantos miedos semejantes ¡mira
sin miedo
mira!
la oscuridad deslustrada esconde meteoros
y por aquí no hay nada suficiente miente nada: el mínimo es demasiado mucho, un mundo
surge del hiato mudo a todos en cada minuto
en cualquier momento
adentrar galerías y catedrales para huir de la condición
bajo el cielo de la libertad
de que expandir es masacrar, de que las pasajes transversales llevan a pasajes aún más amplias, de transmisiones incompletas de nuevas verdades
de que antes que se pueda contar de la conquista habrán otras hecatombes:
la humanidad y yo
alcanzamos ahora, ya, la culminación de nuestra experiencia,
palabra que no constriñe:
seguimos en la lluvia perpetrando mutaciones:
brindemos por eso, fumemos a las calles inventadas por cobardía, bebamos juntos del fuego,
adversario único de la concretud de las vías
pesadas en el esplendor de publi cidades destruidas por el gobierno
de placas que señalan igualmente los cuatro extremos
oceánicos arrastrando magnéticamente
mi cuerpo al corte de un primer viaje.