Meu

ESTOU PRESTES

a trair
a revolução
do meu corpo
de leis

a fugir como se isso ficasse:

TU

que modera a minha palavra
tão popular entre
as esferas
globulantes,
o meu sangue
escorrerá pelo teu
queixo
teu pescoço,
criança infame,
tua possível
vileza será
inaudita

por um auto de fé
uma aposta em

dois atos
sem tiros

segundos
e ascenção.

Aguarda pela tua morte,
lenta porque não
há outra forma
inteira de justiça

Aguarda pelo meu
povo que
te secreta em pranto:
se jogará aos teus pés
porque não há outro
homem nesta época

(nenhum outro homem!)

não há outro ohm em a trair o tempo
não há outro tempo a trair o ato

PORQUE NÃO HÁ MESMO OUTRO
QUE ANIQUILE O MESMO

tempo

morto


ato primeiro: queda


(falando muito rápido)
- Porque este corpo extenso pelasgo sólido negro
de sangue é uma nova verdade,
mas você mancha este corpo, Danton!
Temos que libertar as ruas e os canais do teu direito, Danton!
Agora que você já não pode vencer (cruzar) que já
não nos resta nada além do possível
eu quero ver

a tua cabeça restará
fora de minhas pernas
como símbolo da minha paixão

Digo, da nossa paixão...

Eu seria incapaz de cortar-te, Danton
e é mesmo vulgar esta lâmina
e eu tenho de usurpar o teu vulgo
e no fim eu tenho razão,
nem mesmo louco eu fiquei,
Danton
Danton,
fica só mais um pouco
pra sempre,
fica pra sempre...

deixa eu sentir o teu rosto

à face da ordem

finge! eu imploro, goza ao final

guilhotina em papel o teu numen



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