de dentes de fora

O mar comenta que a violencia nao é veloz nem eficaz



da suspensao da concha
da escuridao do seu ínterim
de entre a larva e a praia
do restar o tempo
desmoronado
do caminho que tao lento chega a nada e que a onda nunca deixa de exultar:
Meu corpo é um navio à deriva.


Como aquele lagarto brando que primeiro firmou os pés na areia havia guerreado tao bravamente contra si guiado tal vez pelas cores fraccionadas excitado de calor em uma pele desprezível louco acabado em tropeçar abismos
aquático, eléctrico, deslumbrante
lento entao como o diabo rasga a mole estrada prima
grava
a obsessao de seu corpo turvo
o seu ventre repleto de ganglios
coronada sua fronte de estrelas

urgente
de vagar
da garganta da onda
o grito primeiro: Este corpo é um navio negreiro!

(é tao fácil sentir essa carne
deslizar exata nesta pedra
exausta, justa
inflamando devagar até
romper-se numa chuva de plasma
como algo que é puro sexo mas nao pode seccionar-se,
romper justamente este limite

naquele calor
no recuo das costas erguidas, tirados ao léu
multidoes e redemoinhos revolteando à margem o que chega à margem
sonhamos tantos
vastos corpos ao mar...

e fez-se a fome ao redentor.


Mar matéria turva
goma de abismo irmao frente aos ares
leito de infinitos
úteros de coracoes
de água forte

Mar matéria turva
camara eléctrica música entranha,
caldo de clones, molusco mucoso,
volto a ti com a mirada úmida
de um delírio dentro teu

Brinda por tanto a saliva
Degola um mamífero enorme

Meu corpo é um navio guerreiro
e disse Vem transformar

paixao em tempestade
vastidao
de todas idades
invoco:
abre esta terra que sitia a liquidez
devasta o alto, violento
toma esse tempo
de assalto
e mito,
Vem





vaza esse casco que nos retém
rasga esse tempo
de proa
e
Vem

Um comentário:

leonardo marona disse...

rosas jogadas a frente do cadafalso... aplausos em sangue. clap clap flop flop...

amo vc, kiddo! bravissimo!

leonid.