lezama veranil


À casa lhe falta tudo
e não tenho para
lavar os olhos,
assim volto ao local do
enterro, ao poço, o sol de aço,
vejo que a virgem recebeu flores,
que os homens feitos
ontem e antes de ontem ainda
não têm a donde ir,
sentados, delgados, escassos,
secando as pernas maduras como
ao comer da fartura
o sumo lento

Este corpo de lama será preciso
mais que um exército de criaturas
em derrubá-lo,
mais que um bando
de palavras inequívocas

Este tombo em fim
caminha pela manhã
e adormece de cansaço,
e se não há terra livre, joga-se no espaço
de qualquer fantasia limpa
de qualquer pedaço de lã

(Uma volta no bairro de baixo)

Para dois vagabundos despertos
há um campo de louros calados,
um monte de bancos cobertos,
o fundo dum rio tragado

Da mulher fugida 
a espreita
figura, a sombra, a cura, o suor
doa mor do ar

Um comentário:

Maíra Vasconcelos disse...

Que boa poesia, Camila!

Outro dia, estive pensando que faz tempos não escrevo poesias. Tem saído textos mais ideológicos, analíticos...Me está cansando..

Quero a leveza da poesia de volta..Espero chegue logo..

Beijo grande!