a boca do lobo

seu coração
lhe arrasta por válvulas transplantadas no tempo
ao baixio das pontes, a paisagens de vento, à poeira entre o
bairro da acusação e a ponte da confissão, zonas em que um mesmo
termo serve a ganhar e a perder, antigos pântanos imundos, onde
tantos, ao prazer da lama
tragados a gosto
a caminho de

onde desaparecem os ciganos
onde começam e terminam as fogueiras
onde a vista concentra no engano
surge a alba
branca e longa e pensa
que é fumaça que vaza a boca tensa..

- ei! princesa!
corta um grito da autopista
- vaza, isso é sujeira,
um taxista, seu sotaque suburbano fumando e rindo no meio de

guardando o indomável trás de dentes
dourados, sem querer da nobreza mais que uns poucos corpos
fartos buscando amanhecer


disse do vão não tem volta, princesa,
pra lá te arrastarão teus sonhos,
inundarão desta saliva os teus passos

ai de quem seguir
te pra lá sempre

pedaços

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