25 de mayo, av.




Buscando instantes nas paredes rasuradas, tateando, 
máquinas dedos de construir pequenos corpos, deslizando pela pele áspera do tempo, 
encaixando engrenagens largadas ao sol em sonhos quebrados de jogadores defuntos 
instrumento hálito nebuloso nas sementes encravadas por dentro, Engendrando 
criaturas de lixo, saciando personagens de pó, heróis encarnados 
em peças minúsculas, em cada sílaba que surge do concreto: arqueólogos, catadores 
de despejos, caçadores de espíritos, de loucos simplesmente caminhantes do 
deserto latejante sob toda construção Desde então / habitantes esquivos / repletos
daquelas ruas / Possuidores deste carácter de beco, 
infinitamente líquido, sabendo provocar com um só gesto da cabeça, 
com qualquer coisa que tenha à vista ou às mãos, com os desenhos dos pêlos, nariz 
lábios esculpindo o sopro um ou dois dedos ao alto E a frequência desentranha 
E saem os bichos de debaixo do asfalto, chuva quente Tragando pegadas
Movendo-se pelas mensagens como a aranha por suas tetas
voando, tecendo o invisível adiante do outdoor:
Abaixo a autópsia Abaixo a autopista!
Viva o que vai por debaixo Viva o lixo O direito pelo sinistro 
E os irmãos que vêm dos canos dizem também sangra o cimento pelos caminhos 
que andamos E as cavernas que dormimos Sem engano Por dentro da carne A noite Ao norte ao leste ao sul ao norte a peste Magnetismo Matéria 
prima deste engenho Restos Rostos de quem vem de qualquer lado Cabelo sertanejo e um sotaque caribenho Leofóros Porticus Próspiekt Nervo de boi Artérias Lombrigas Avingudas Avenidas Todas Latino-americanas, facada aberta no escombro de paragens e bandidas, teus três tempos evocamos 
a que consumam nossas libações de rosa shock 
estanho sobre o platô de poeira em que erguidas