Twins

Everyday it is alive

not willing to be cured
mother and father of a never
found race
lying
at the kitchen's
floor, laced

hands,
firm as they can get
touching for a break
in the silence wet,

Trying the cry
as a slippery gun
that tears the whole
and shines
as it would grow
and run

They are not awake -
they rest, flesh longing
to be born

Their chance's passed
but still

Who dares to stare at the hunger's eyes?
Who will?

nebulosas

vejo uma foto tua
metida em golas de blusa,
mãos certeiras diminutas
cobertas pêlo uso couro da coragem
íntima, última dos grandes movimentos
de câmara: não sei que lugar é esse através
de que apontas teu dedo curto
e claro, mas sabe
por detrás das lentes a precisão do bicho
de que foges,
que faz frio dentro
e fora teus olhos maciços mais vivos que
nunca pesam voltar,
mas para onde?
queria meter-me por esta tela
fina, pelo teu agasalho
minúscula masculina,
atenta a que o frio ralha
ele te faz tão bem, pequenina
encarnação de Samuel, e o teu
corpo deve estar mesmo firme
de ter ido tão longe ainda
sem ver a fresta por que
espreitam

livramento duvidoso

quem sabe o que pode tocar
quem sabe?
o corpo sem vida viver
quem sabe?
as horas sem nexo
o olhar inteiro
o corpo nu
a alma nua
quem sabe
tocar?
a valsa mais discreta do mundo
as correntes na ponta dos dedos
prazer de roçar-se no equívoco
sutil abismo
quem pode?
sem matar nem morrer
que segue?

nesta noite secreta
os olhos secos esperam
pela era dos sonhos despertos
pelo tempo de ondas bravias
em que o amor ainda

dispensa interrogações

que dizer? que prefiro o corte
porque é certo?

se dirás
que espécie de faca
pode fender o nada?

da face vista em chama
através dos olhos fechados
do peso pousado de um homem
alívio do peso de um mundo
da derradeira chance
da primeira vista

de tantas perguntas
quem resta?