nebulosas

vejo uma foto tua
metida em golas de blusa,
mãos certeiras diminutas
cobertas pêlo uso couro da coragem
íntima, última dos grandes movimentos
de câmara: não sei que lugar é esse através
de que apontas teu dedo curto
e claro, mas sabe
por detrás das lentes a precisão do bicho
de que foges,
que faz frio dentro
e fora teus olhos maciços mais vivos que
nunca pesam voltar,
mas para onde?
queria meter-me por esta tela
fina, pelo teu agasalho
minúscula masculina,
atenta a que o frio ralha
ele te faz tão bem, pequenina
encarnação de Samuel, e o teu
corpo deve estar mesmo firme
de ter ido tão longe ainda
sem ver a fresta por que
espreitam

Nenhum comentário: