livramento duvidoso

quem sabe o que pode tocar
quem sabe?
o corpo sem vida viver
quem sabe?
as horas sem nexo
o olhar inteiro
o corpo nu
a alma nua
quem sabe
tocar?
a valsa mais discreta do mundo
as correntes na ponta dos dedos
prazer de roçar-se no equívoco
sutil abismo
quem pode?
sem matar nem morrer
que segue?

nesta noite secreta
os olhos secos esperam
pela era dos sonhos despertos
pelo tempo de ondas bravias
em que o amor ainda

dispensa interrogações

que dizer? que prefiro o corte
porque é certo?

se dirás
que espécie de faca
pode fender o nada?

da face vista em chama
através dos olhos fechados
do peso pousado de um homem
alívio do peso de um mundo
da derradeira chance
da primeira vista

de tantas perguntas
quem resta?

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