O caderno

O caderno deixado à beira da fogueira
foi levado antes que apagasse, clareasse
e os rastros eram tantos
que não havia maneira de saber para que lado havia seguido -
sumiu na praia, antes que tudo amanhecesse,
que voltasse a buscá-lo por entre os quilômetros e as redes,
provando métodos variados de investigação e desconsolo em ambiente selvagem,
perscrutando o último átomo
do universo dentro do olho
do curumim a quem perguntei:
Visse acaso por aqui um caderninho cor de vinho? É que o perdi...
E o moleque fez que não, e me sentei
no meio do mundo,
já sem saber quanto de branco havia em suas faces,
nem se tão vivas, nem se robustas, nem se tenazes,
mas sentindo ainda os seus sinais, suas graúdas interrogações,
seus escassos pontos finais -
O que não volta jamais esteve;
A beleza da fuga não ameniza
os pesadelos;
Vozes demais escutam
santo e surdo -
E muitos outros ditos a tempo
de ofertar minha perda ao vento
que marcava à revelia enorme
página de areia.

Um comentário:

Heyk disse...

legal que consiga conciliar o fluxo com alguns sons. bonito. lá vamos nós.